Bem-vindo ao podcast Re_Formulando Ideias.
Se você ainda não me conhece, meu nome é Regina Manasieva.
E este espaço nasceu de um desejo de provocar reflexões reais,
inspirar novos olhares
e compartilhar ensinamentos
que ajudem você a ter mais clareza, mais consciência e mais significado na vida.
A ideia não é trazer respostas prontas.
É reformular pensamentos, histórias e caminhos.
Se esse podcast conseguir gerar em você um insight,
uma pausa,
ou uma nova forma de enxergar a si mesmo e o mundo…
então ele já cumpriu o seu propósito.
Quero começar esse episódio número 1 trazendo aqui para vocês a abordagem de uma pergunta do livro A Coragem de Ser Imperfeito, da escritora Brené Brown:
“Se desejamos viver e amar de todo o nosso coração, como fazer para evitar que o perfeccionismo sabote nossos esforços?”
Eu nunca me considerei uma pessoa perfeccionista, mas sempre fui uma apreciadora das coisas maravilhosas e perfeitas.
E, com base nessa premissa, eu quero te contar uma história.
Mas não é qualquer história.
Na verdade, é a história que conto para mim e que, por muito tempo, ficou guardada aqui dentro:
a história de que eu precisava ler mais, ser mais, estudar mais para poder vencer a barreira do que eu não achava que estava perfeito.
Eu pensei muito na construção desse primeiro episódio. Muito mesmo.
E percebi que, antes de falar sobre qualquer coisa,
eu precisava responder algumas perguntas.
A primeira delas era: por quê?
Por que escolhi voltar a me expor?
Por que agora?
E por que dessa forma?
Há quatro anos atrás, eu iniciei um quadro no podcast que criei chamado Re_Formulando Ideias.
Lá, o objetivo inicial era falar apenas sobre liderança, empresas, humanização e gestão de pessoas temas que com certeza, em algum momento, eu vou abordar aqui também.
Porém, o momento que eu estava passando na minha vida era conturbado: a empresa me consumia muito, meu dia era cheio de tarefas intermináveis e cheguei a gravar quatro episódios, porém não tive forças para dar continuidade.
Foram quatro anos de muita leitura, terapia, silêncio uma viagem no interior do meu interior para que eu tivesse a coragem de vir aqui gravar para vocês.
Mesmo com uma bagagem e um conhecimento que eu sei que podem ser úteis para muitas pessoas, eu me sabotava achando que não era suficiente.
Na verdade, uma crença me limitava de vir aqui expor aquilo que já estava transbordando dentro de mim.
Nessa jornada do autoconhecimento, eu descobri alguns estudos que mostraram que, quando a gente fala sobre as nossas experiências, nós também reorganizamos nossas emoções internamente.
E é exatamente isso que este podcast se torna para mim: uma expressão com propósito e com intencionalidade das minhas experiências e emoções.
Porque, se você está aqui comigo hoje…
eu preciso te entregar algo que transforme, que realmente faça algum sentido.
Quando pensei em voltar a ativar esse projeto do Re_Formulando Ideias, eu pensei em trazer um conteúdo real, algo que pudesse trazer uma reflexão, uma mudança ou um impacto positivo na vida das pessoas que vão me escutar aqui.
E isso me leva ao primeiro valor que preciso compartilhar com você: autorresponsabilidade.
A neurociência mostra algo que é fascinante: quando assumimos responsabilidade por nossas ações e escolhas, ativamos regiões do córtex pré-frontal associadas ao autocontrole e à tomada de decisão consciente. É como se o cérebro literalmente se reorganizasse para nos tornar protagonistas da nossa própria história.
Eu não poderia estar aqui simplesmente falando qualquer coisa.
Se você parou para me ouvir, eu tenho uma responsabilidade no que estou transmitindo.
E esse é um valor tão forte em mim que ele me travou durante anos.
O que realmente me trouxe aqui foi um chamado que não cabia mais dentro de mim.
Eu já fiz muitos treinamentos de autoconhecimento, mergulhando profundamente dentro de mim e descobrindo ferramentas que poderiam me trazer certa clareza sobre a vida.
Em 2021, voltei para a terapia de forma intensa.
E ali eu percebi que tinha muito mais para transmitir do que aquilo que eu estava fazendo nas minhas redes sociais, no meu ecossistema de trabalho.
Por diversas vezes, eu tive conversas profundas com amigos, colaboradores, clientes e familiares. Eu vivia isso constantemente.
E percebi: isso precisa ir além.
Mas não foi só isso.
Foi principalmente o fato de eu ser uma pessoa que adora desafios, que adora se colocar em movimento, que adora transbordar aquilo que tem por dentro.
E, para entender de onde vem esse chamado, eu precisei fazer uma coisa: visitar a Regina ainda criança, com seus 7 aninhos.
Você sabe qual era a minha brincadeira favorita?
Fingir que eu era professora.
Meus pais me deram uma lousa.
Sim, uma lousa daquelas verdes de escola, e eu brincava de dar aula.
Na adolescência, eu trazia amigas com dificuldade em matérias nas quais eu tinha mais habilidade, pegava aquela mesma lousa e ensinava.
E sabe o melhor?
Antes de ensinar, eu me preparava.
Porque eu já tinha esse senso de responsabilidade: se elas confiavam em mim, eu precisava fazê-las aprender de verdade.
E quando elas iam bem nas provas, isso me trazia uma satisfação que eu não consigo nem descrever.
Estudando muito para fazer esse primeiro episódio, a pergunta que eu mais queria responder e acho que você também deveria se fazer é:
Quem sou eu?
Quem eu sou quando retiro meu nome, meu cargo, meu papel, meus rótulos, meus estudos?
E, no mundo das perguntas, eu concluí que nós construímos quem somos através das histórias que contamos.
O nosso cérebro tem uma capacidade incrível de se reorganizar, e ele mostra que as narrativas que a gente repete sobre nós mesmos — ou seja, as histórias que contamos para nós mesmos literalmente moldam as nossas conexões neurais.
O neurocientista Joe Dispenza, que, aliás, super recomendo o livro Quebrando o Hábito de Ser Você Mesmo, disse:
“Quando mudamos nossa mente, mudamos nossa vida.”
Responder a essa pergunta quem eu sou foi uma das mais intrigantes para mim.
Eu realmente não sou meu nome. Poderia me chamar Joana, Juliana, Fernanda e ainda continuar sendo eu mesma.
Não sou minha profissão, porque não posso ser apenas o que eu faço ou as habilidades que possuo.
Quem eu sou?
Se eu remover os rótulos de mulher, mãe, empresária, esposa…
Se eu tiro tudo isso, quem ainda resta de mim?
Na realidade, eu sou as histórias que conto para mim mesma.
Então, deixa eu contar as histórias que me fizeram chegar até aqui.
Nasci em uma família de origem humilde.
Meus avós mal puderam estudar; no entanto, meus pais, através de seus próprios esforços, conseguiram concluir uma faculdade e continuar a evolução na direção de um caminho mais próspero.
Meus pais sempre foram presentes no amor, extremamente apoiadores, porém trabalhavam demais. Por isso, passávamos mais tempo juntos nos finais de semana, pois a vida era bem corrida para eles.
Eu não me lembro deles me buscando na escola em vários períodos da minha vida.
Não me lembro da minha mãe me pondo para dormir aos cinco, seis aninhos.
Lembro-me muito mais dos meus avós nessa fase.
Aqui está um perfeito exemplo de como você precisa aprender a escolher como irá contar essa história.
Como vai ressignificá-la?
Eu poderia usar essa situação da ausência dos meus pais pelo trabalho e narrar que não eram presentes, não me ajudavam na escola e, por isso, eu não ia bem, não conseguia me relacionar direito, e blá, blá, blá.
Mas não.
O que essa Regina fez?
Transformou essa história em algo positivo.
O fato de meus pais estarem trabalhando, dando o melhor que podiam da maneira que conheciam, me ensinou o valor da autorresponsabilidade.
Me ensinou a me virar.
Me ensinou a ver oportunidade onde eu poderia contar uma história completamente triste e conviver com a dor da ausência.
Viktor Frankl fala isso com muita clareza:
“Entre o estímulo e a resposta, existe um espaço.
Nesse espaço está o nosso poder de escolher.”
E isso criou uma base sólida em mim.
Porém, como forma de trazer aqui os dois lados da moeda, dentro dessa mesma situação que trouxe uma história positiva, ela também enraizou uma crença que me acompanhou durante anos e que ainda estou ressignificando a cada passo que dou, porém de forma cada vez mais consciente: a crença de que eu não posso pedir ajuda.
Pesquisas em psicologia social demonstram que pedir ajuda não é sinal de fraqueza é, na verdade, um indicador de inteligência emocional e autoconsciência.
Mas, para mim, que cresci precisando me virar, isso não era óbvio.
Essa crença nasceu da independência precoce.
De ter que me virar.
De sentir que eu precisava ser forte o tempo todo.
Por muito tempo, contei para mim mesma essa história:
“Eu não posso pedir ajuda.
Eu não posso ter fraqueza.
Eu não posso não ser forte.”
E, aos poucos, com muito trabalho, comecei a mudar essa narrativa.
Comecei a contar para mim mesma uma nova história:
“Eu posso ser forte e vulnerável ao mesmo tempo.”
“Eu posso pedir ajuda.”
Posso pedir ajuda.
Eu não sou autossuficiente.
Eu posso precisar de outras pessoas.
E isso me fez pensar: quantas vezes a gente reclama
“ai, meu marido não me ajuda”,
“meus pais não me ajudam”,
mas… você abre espaço para eles ajudarem?
Não é só uma questão de ajuda principalmente em casa, com filhos.
Na realidade, é uma divisão de tarefas.
Mas você deixa claro onde precisa de ajuda?
Você faz bons combinados?
Porque, se você não é clara, se não fala o óbvio e o óbvio precisa ser dito, tem até livro sobre isso como as pessoas vão saber?
Eu precisei aprender a delegar.
A dividir.
A entregar.
A deixar o outro me ajudar efetivamente.
E isso transformou meu casamento, minha maternidade e minha forma de liderar.
Aos 15 anos, fui trabalhar com meu pai. Queria ter meu dinheiro, minha independência, ser capaz de comprar minhas coisas sem ficar pedindo. Já tinha uma visão clara: ou teria meu próprio negócio, ou estudaria muito para virar juíza federal.
Meu pai é perito, e cresci no meio jurídico, e pensava: “Quero fazer Direito, quero ser juíza federal trabalhista.”
Fui fazer Direito. Com 18, 19 anos, comecei a estagiar em um dos maiores escritórios da América Latina. E olha que interessante: eu era estagiária, não tinha nem OAB ainda. Mas toda vez que tinha um desafio ir despachar com juízes, por exemplo eu levantava a mão e não saía do fórum enquanto não conseguisse resolver o que estava sob minha responsabilidade.
Imagina só: sem carteirinha da OAB, com a cara e a coragem, ficava plantada até o juiz permitir minha entrada. E eu conseguia expressar o que precisava ser feito: desbloqueio de conta, petição, recurso. Sempre me arrisquei.
No quarto ano de faculdade, tive a oportunidade de morar seis meses no Canadá. Fui com a cara e a coragem me hospedar na casa de uma amiga, com 1.000 USD no bolso. Ali, gente, eu realmente precisei pôr em prática tudo o que aprendi com meus pais e com minha família. Fiquei sozinha de verdade. Trabalhei como faxineira, como bartender e juntei um dinheirinho antes do meu retorno.
Foi literalmente um rito de passagem.
E, quando voltei, percebi que o Direito não era mais meu chamado.
Meu coração buscava algo maior.
Minha percepção de vida, de mundo, tinha mudado. Eu queria algo a mais.
Logo no meu retorno, eu conheci meu marido. Com ele, iniciei uma nova história no empreendedorismo e na vida.
Meu marido é búlgaro. Na época em que nos conhecemos e casamos, ele tinha 29 anos, era oficial da Marinha e extremamente corajoso e aventureiro. Passava normalmente de quatro a cinco meses embarcado no navio trabalhando e apenas dois meses em terra. Quando engravidei do Luis, ele tomou a decisão de parar de navegar e, com isso, buscar uma oportunidade no Brasil.
Foi assim que nasceu a nossa empresa, que hoje está caminhando para 18 anos de existência.
Em 2007, o Brasil era muito carente de produtos infantis. Se você realmente quisesse algo bacana e de alta qualidade, precisava viajar para fora para ter.
Olhando para esse cenário — ele desempregado, sem falar uma palavra em português, e eu grávida, sem possibilidade de nenhuma empresa me empregar — vendemos nosso único bem, um carro avaliado em 26 mil reais, e compramos 13 carrinhos de bebê para iniciar nossa empresa.
Olhando para essa história, eu enxergo coragem, ousadia, muito esforço e dedicação real.
Essa história me tornou a empresária que sou hoje no ramo infantil e me trouxe muitos frutos. O principal deles foi a conexão com as pessoas. Nesse ramo, eu conheci muita gente — muita gente que, de alguma forma, tocou meu coração, me ensinou e colaborou para eu me tornar a Regina que sou hoje.
E, nessa jornada, muitos desafios foram aparecendo. Dentre eles, um dos mais fortes foram os dois burnouts que eu tive.
Hoje, eu consigo falar sobre eles sem me emocionar. Enxergar o que me levou a esse estado e os inúmeros aprendizados que ele me trouxe. E, com certeza, mais histórias que tive que aprender a me recontar para poder me curar. Acredito que um dia eu farei um episódio apenas para falar sobre isso, porque, se eu acabar entrando aqui, esse podcast vai durar uma eternidade.
Agora, voltando à intencionalidade e ao porquê de retomar esse projeto do podcast, tem apenas mais uma história que eu quero passar aqui com vocês:
Há um tempo, uma amiga minha chamada Priscila me indicou um livro que se chama Uma Vida com Propósitos, de Rick Warren. São 30 dias, 30 leituras, como se fosse um devocional. E ele me ajudou a ir mais fundo nessa minha busca por sentido na vida.
Muito se fala em propósito de forma simples, porém: “O propósito é o motivo pelo qual você acorda todos os dias.” Se questionar e questionar o seu dia e o que você tem feito com ele pode te gerar mais clareza se você está ou não fazendo algo com intencionalidade e propósito.
Este podcast é isso para mim.
É propósito em ação.
É minha criança reencontrada.
É minha essência colocada para fora com responsabilidade e amor.
Depois de 17 anos trabalhando, liderando pessoas, construindo e reconstruindo times e a própria empresa, aprendendo com pessoas todos os dias, eu entendi que ensinar era meu ponto de retorno.
O centro do meu propósito.
Visitando essa menina de 7 anos, 27 anos depois, eu finalmente enxerguei: meu propósito é transmitir. É ensinar. É passar algo que faça sentido.
Nossas ações alinhadas com nosso propósito intrínseco aumentam os níveis de dopamina e serotonina e, com isso, elevam significativamente o nosso estado de flow — aquele momento em que tudo flui naturalmente.
[PAUSA – RESPIRAÇÃO]
Esse podcast nasceu dessa menina de 7 anos. Ela foi se desenvolvendo de forma mais tímida, mais introspectiva, mais silenciosa durante os anos. Mas, depois de todo esse tempo e de todas essas histórias, eu entendi: chegou a hora de trazer esse chamado. Chegou a hora de expor essa versão da Regina que construí nos bastidores, mas que agora precisa transbordar.
Mesmo que imperfeita, mesmo enfrentando um dos meus maiores desafios. Como diz novamente Brené Brown: “É no processo de aceitar nossas imperfeições que descobrimos nossos dons mais verdadeiros.”
Analisar nossos medos e modificar a maneira como falamos com a gente mesmo são dois passos importantes para a construção das novas histórias que você irá contar para você mesmo daqui pra frente.
Esse primeiro episódio é emocionante para mim. É libertador. Foram quase quatro anos de preparação mental, psicológica e até física.
Esse movimento tem impacto. Tem responsabilidade. E, se eu quero fazer algo realmente bom, algo diferente, essa autorresponsabilidade vai estar presente o tempo todo.
Se eu sou as histórias que eu conto para mim…
então eu escolho contar histórias que me expandem,
que me fortalecem,
que me alinham.
E hoje, aqui com você,
eu escolho contar a história de uma mulher que voltou à sua menina de 7 anos
e encontrou ali suas respostas.
Eu não sou a Regina que esperaram que eu fosse.
Eu sou a Regina que eu decidi me tornar.
Porque, no final das contas, esse é o maior poder que temos: o poder de reescrever nossa própria narrativa.
Quero te convidar a fazer o mesmo: olhar para suas histórias, escolher quais você quer continuar contando e quais você quer ressignificar.
Obrigada por estar comigo.
Obrigada por me ouvir.
Se você achou esse episódio interessante, comente e compartilhe comigo para que eu possa criar mais e mais conteúdos assim.
No próximo episódio, nós vamos falar sobre Valores,
como eles nascem, como se consolidam
e como eles se tornam o alicerce da vida que queremos construir.
Até lá. ✨
